Neymar bateu em jogador de 18 anos no treino do Santos e o problema é muito maior do que a bofetada
Neymar deu rasteira e tapa em Robinho Júnior, de 18 anos, no treino do Santos. O jovem enviou notificação ao clube e pediu rescisão. Entenda por que o problema é muito maior do que a bofetada e o que o Santos vai fazer agora.
FUTEBOL
Futebol de Alto QI
5/5/20263 min read


No domingo de manhã, enquanto o Brasil ainda dormia com o empate do Santos contra o Palmeiras na véspera, um episódio no CT Rei Pelé resumiu tudo que está errado na carreira de Neymar nos últimos anos. O camisa 10 se irritou ao ser driblado por Robinho Júnior, um atacante de 18 anos, filho do ex-jogador Robinho, durante um treino entre os reservas. O que veio depois foi uma discussão verbal, empurrões, uma rasteira aplicada no gramado e, segundo a notificação extrajudicial enviada ao clube, uma bofetada violenta no rosto do jovem.
O Santos abriu sindicância interna. A imprensa europeia repercutiu o caso com manchetes que definem o momento do jogador melhor do que qualquer análise brasileira poderia. O jornal espanhol AS foi direto: "Neymar perdeu a cabeça." O Sport classificou como "outra gafe" e o lembrou que está numa temporada de Copa do Mundo em que sonha disputar o último grande torneio da carreira. O jornal A Bola, de Portugal, falou em "mal-estar nos bastidores do clube."
Durante a atividade entre os jogadores que não participaram do clássico contra o Palmeiras, Robinho Júnior aplicou um drible em Neymar. O camisa 10 pediu ao garoto para "maneirar." A conversa escalou para uma discussão, evoluiu para empurrões, e testemunhas presentes no CT relataram tanto a rasteira quanto o tapa no rosto do jovem. Pelo menos uma testemunha confirmou os dois últimos atos à imprensa.
Neymar foi até Robinho Júnior ainda no CT e pediu desculpas. O clube tratou o caso como encerrado. Os dois viajaram juntos para o Paraguai, onde o Santos enfrenta o Recoleta pela Sul-Americana nesta terça-feira.
Só que os representantes do jovem não aceitaram o fim da história dentro do vestiário. Enviaram uma notificação extrajudicial ao clube listando quatro exigências: abertura de sindicância formal, fornecimento das imagens do treino, posicionamento oficial sobre as medidas que serão tomadas e agendamento de reunião para discutir uma possível rescisão de contrato. O argumento usado é "ausência de condições mínimas de segurança."
O que exatamente aconteceu
Por que o Santos está numa posição impossível
O clube agora precisa tomar uma decisão que não tem resposta fácil. Se punir Neymar com suspensão ou advertência formal, enfrenta a resistência do próprio jogador, que é o nome mais importante do elenco e a razão pela qual o Santos voltou a ser notícia no futebol brasileiro. Se não punir de forma contundente, assina embaixo da narrativa de que estrelas acima de certa cota podem fazer o que quiserem sem consequências reais. A sindicância interna foi aberta por determinação da presidência, o que é a resposta institucional correta. Mas o processo precisa ter um desfecho claro. E qualquer desfecho vai desagradar alguém.
Há um detalhe que torna a situação ainda mais delicada. Segundo relatos da imprensa, a relação entre Neymar e Robinho Júnior dentro do clube era descrita como de "padrinho e afilhado." Se até essa relação não foi suficiente para conter o camisa 10 num momento de raiva, o que dizer sobre outros jogadores do elenco que não têm esse vínculo com ele?
Essa não é a primeira vez e todo mundo sabe disso. A trajetória de Neymar nos últimos anos é uma sequência de incidentes fora de campo que coexistem com momentos de talento genuíno dentro dele. O problema é que o talento vai ficando cada vez mais esporádico enquanto as polêmicas seguem com a mesma frequência de sempre.
Aos 34 anos, com um histórico de lesões gravíssimas e uma Copa do Mundo em junho que pode ser a última da carreira, Neymar deveria estar no momento de maior maturidade profissional da vida. O episódio com Robinho Júnior aconteceu num treino de reservas, num domingo de manhã, com as câmeras do CT registrando tudo. A bofetada num garoto de 18 anos que ousou driblá-lo é um símbolo inconfortável de onde estão as prioridades nesse momento.
Neymar, 34 anos, e o padrão que não muda


O que acontece agora
O Santos precisa concluir a sindicância com transparência e consequência real. Robinho Júnior, que ainda é jovem o suficiente para ter uma carreira longa pela frente, merece que o clube demonstre que sua segurança importa tanto quanto o marketing do nome de Neymar.
E Neymar, que declarou publicamente que voltou ao Santos para se redimir e para disputar a Copa do Mundo com moral, precisa entender que nenhuma declaração de intenção vale mais do que o comportamento num treino de domingo quando ninguém espera estar sendo observado.
