Carlos Vinícius perdeu 3 pênaltis no mesmo jogo e a culpa pode não ser só dele
Carlos Vinícius perdeu 3 pênaltis no mesmo jogo pela Sul-Americana. Entenda a regra que poucos conhecem e o que a arbitragem errou nessa noite que entrou para história.
ANÁLISE JOGADORFUTEBOL
Futebol de Alto QI
4/30/20264 min read


Na noite de quarta-feira, o Grêmio empatou com o Palestino pela Copa Sul-Americana, no Chile, e o placar de 0 a 0 já seria decepcionante o suficiente para um time que precisava dos três pontos, mas o que vai ficar na memória, e nos memes, é uma cena que a maioria dos torcedores nunca tinha visto na vida inteira Carlos Vinícius, artilheiro do time, cobrou três pênaltis no mesmo lance e perdeu os três.
Antes de você rir, ou chorar se for gremista, vale entender o que aconteceu ali. Porque a situação tem uma explicação técnica e regulamentar que muita gente não sabe, e que mostra como o futebol moderno virou um labirinto de regras onde nem sempre o mais justo prevalece.
Aos 8 minutos do primeiro tempo, o árbitro marcou pênalti para o Grêmio. Carlos Vinícius bateu, o goleiro Sebastián Pérez defendeu e até aí tudo parecia normal. Só que o VAR chamou o árbitro: Pérez havia se adiantado antes do chute. Pênalti repetido. Na segunda cobrança a mesma história se repetiu, nova defesa, nova infração do goleiro, novo chamado do VAR. Na terceira, Pérez já estava nas nuvens de confiança. Carlos Vinícius escorregou no momento do chute e parou no goleiro de novo, desta vez de forma completamente legal. Fim do pesadelo.
O que aconteceu, exatamente
A regra que poucos conhecem mas que mudou tudo
O futebol tem uma norma chamada Regra 14, que trata especificamente da cobrança de pênalti. Ela diz de forma clara que o goleiro deve ter pelo menos um pé tocando, alinhado ou atrás da linha do gol no momento exato em que a bola é chutada. Essa regra foi atualizada em 2019 e antes disso o goleiro precisava ter os dois pés sobre a linha. A mudança parece pequena mas abriu uma brecha enorme porque agora os goleiros têm mais liberdade de movimento para antecipar o lado, e na prática muitos abusam disso.
Com a chegada do VAR ficou muito mais fácil detectar o adiantamento. A câmera lenta mostra milímetros, um calcanhar levantado antes do chute já é infração, e o árbitro é obrigado a mandar cobrar de novo caso o cobrador não tenha feito o gol. Ou seja, se Carlos Vinícius tivesse feito o gol nas duas primeiras cobranças, mesmo com o goleiro adiantado, o gol poderia ter valido dependendo da interpretação. A repetição só acontece quando o goleiro se adianta e a cobrança não termina em gol.
A crueldade psicológica que a regra não contempla
Aqui está o ângulo que nenhum portal vai te contar. Do ponto de vista psicológico, obrigar um cobrador a bater o mesmo pênalti três vezes é quase uma tortura. A literatura esportiva mostra que o pênalti é acima de tudo um duelo mental onde o cobrador escolhe o canto e o goleiro tenta adivinhar. Quando o primeiro chute é defendido o cobrador já sabe que o goleiro leu sua intenção. Bater de novo para o mesmo goleiro, no mesmo jogo, poucos segundos depois, é começar em desvantagem psicológica brutal.
Na segunda cobrança o cobrador já carrega o peso do erro anterior. Na terceira, com a torcida adversária enlouquecida e a pressão nos pés literalmente, como aconteceu com Vinícius que escorregou, as chances de acerto despencam de um jeito que nenhuma estatística consegue capturar completamente. A regra que foi criada para proteger a equipe do cobrador acaba, paradoxalmente, destruindo o cobrador.


O goleiro herói ou o árbitro vilão
Sebastián Pérez vai ser lembrado como herói em Santiago, mas a pergunta que o Grêmio tem o direito de fazer é por que ele não foi advertido com amarelo após duas infrações seguidas. Se a arbitragem tivesse aplicado a regra completa, Pérez teria enfrentado as duas repetições com a pressão extra de saber que um segundo cartão o tiraria do jogo. Isso muda completamente a cabeça de um goleiro na hora de antecipar o movimento.
O VAR foi acionado para verificar o adiantamento mas parece que a parte da advertência ficou pelo caminho. E no futebol, meia regra aplicada pode ser tão injusta quanto nenhuma regra.
O que fica disso tudo
Carlos Vinícius vai virar meme e já virou. Mas a história real é mais complexa do que três erros seguidos. É sobre uma regra que poucos entendem, uma arbitragem que aplicou só metade dela e um cobrador submetido a uma pressão psicológica que a maioria dos torcedores jamais vai sentir de verdade. O futebol é um jogo de detalhes e na noite de ontem os detalhes decidiram da pior forma possível para o Grêmio.
Você conhecia a regra do adiantamento do goleiro? Acha que o árbitro deveria ter dado cartão amarelo em Pérez? Deixa sua opinião nos comentários.
