Análise tática Roberto De Zerbi | Tactical Analysis

A chegada de Roberto De Zerbi ao Tottenham Hotspur marca uma das mudanças mais ousadas da Premier League 2026. Conhecido por seu estilo de jogo baseado em posse de bola, pressão alta e construção desde a defesa, o treinador italiano assume o clube em um momento crítico, com risco real de rebaixamento.

ANÁLISE TÁTICA

Futebol de Alto QI

4/2/2026

A chegada de Roberto De Zerbi ao Tottenham não é apenas uma troca de treinador. É uma mudança radical de identidade em um dos momentos mais delicados da história recente do clube. O cenário é crítico. Sem vencer na Premier League desde dezembro, o Tottenham viu uma vantagem confortável desaparecer e agora convive com o risco real de rebaixamento e algo que não acontece desde 1977. Restando poucos jogos para o fim da temporada, cada decisão passa a ter peso máximo, tanto esportivo quanto financeiro.

Diante disso, a escolha por De Zerbi revela mais do que uma tentativa de ajuste imediato. É uma aposta alta em um treinador com ideias muito bem definidas, mas que exigem tempo, adaptação e, principalmente, execução precisa.

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Um estilo claro: controle, risco e manipulação do adversário

As equipes de De Zerbi têm um princípio central: dominar a posse de bola, geralmente estruturadas em um 3-2-5 quando estão no ataque. Mas diferente do controle mais conservador visto em times de Pep Guardiola, a ideia aqui é outra, o objetivo não é apenas manter a bola, mas provocar o adversário.

O treinador italiano utiliza um conceito muito específico: atrair a pressão. Seus times circulam a bola em zonas baixas, muitas vezes próximas ao próprio gol, convidando o rival a avançar. Quando essa pressão acontece, surgem os espaços. E é aí que entram os passes verticais ou diagonais rápidos, explorando pontas abertos e atacando a última linha. Esse tipo de construção exige coragem, precisão técnica e inteligência posicional. Não por acaso, seus times costumam apresentar números elevados de posse mais de 60% tanto no Brighton quanto no Olympique de Marselha além de altos índices de criação de chances.

O outro lado: vulnerabilidade e risco constante

Mas o modelo também tem um custo, ao empurrar muitos jogadores para o ataque e assumir riscos na saída de bola, as equipes de De Zerbi frequentemente ficam expostas. Os dados mostram isso com clareza: tanto Brighton quanto Marselha sofreram um número elevado de gols em transições rápidas e contra-ataques. Essa dualidade define o estilo do treinador com futebol ofensivo e envolvente, mas com momentos de instabilidade defensiva, um exemplo claro disso foi o empate por 3 a 3 contra o Liverpool em sua estreia pelo Brighton, um jogo que resume bem o que esperar: intensidade, chances para os dois lados e dificuldade de controle absoluto, Repetir um resultado como esse ou colocar ideias assim de cara com um time em colapso pode ser fatal de início, pois o Tottenham precisa somar pontos urgentemente. 

O desafio no Tottenham: mudança de identidade em tempo real

Se o estilo já exige adaptação em condições normais, o cenário atual do Tottenham torna tudo ainda mais complexo. A equipe vinha atuando de forma completamente diferente. Sob os comandos anteriores, o time priorizava um jogo mais direto, com menos posse, uso frequente de bolas longas e forte dependência de jogadas de bola parada.

Os números reforçam isso: posse média inferior a 50%; alto volume de passes longos; baixa progressão com bola, ou seja, o Tottenham precisa fazer uma transição brusca de um jogo reativo para um modelo baseado em controle, paciência e construção, e o problema é o tempo. Não há pré-temporada, não há margem para erros.

Veja tabela do Tottenham a seguir: https://www.fotmob.com/pt-BR/teams/8586/fixtures/tottenham-hotspur ou https://www.premierleague.com/en/clubs/6/tottenham-hotspur/matches

Há pontos de esperança

Apesar do cenário preocupante, existem fatores que podem favorecer essa adaptação, De Zerbi já enfrentou situação semelhante no Brighton, quando assumiu o time no meio da temporada e conseguiu implementar suas ideias gradualmente. Além disso, parte do elenco do Tottenham já teve contato com um estilo mais ofensivo em ciclos anteriores, o que pode acelerar o processo, outro ponto importante é a qualidade individual. Mesmo em má fase, o elenco ainda possui jogadores capazes de executar um modelo mais técnico e posicional.

O que esperar nas próximas rodadas

A grande questão não é apenas se o sistema de De Zerbi funciona isso já foi comprovado em outros clubes, a dúvida é outra  dá tempo de aplicar tudo isso agora? O Tottenham precisa vencer jogos imediatamente, e o estilo do treinador, historicamente, leva algum tempo para atingir seu máximo desempenho. No Brighton, por exemplo, os primeiros resultados não foram imediatos, por outro lado, quando encaixa, o impacto é evidente. Seus times conseguem criar volume ofensivo consistente, pressionar alto e manter sequências longas de posse  características cada vez mais valiosas no futebol moderno.

A contratação de Roberto De Zerbi é ousada, tem seus riscos e seu temperamento não é o ideal, é um treinador que acredito ser supervalorizado nessa ideia de futebol modernos muitos são, mas o clube precisava de uma mudança profunda e poucos treinadores oferecem uma identidade tão clara quanto o italiano. O contexto transforma essa escolha em um verdadeiro teste de curto prazo, se funcionar, o Tottenham não apenas se salva, como pode redefinir seu futuro. Se não, o custo esportivo e financeiro pode ser enorme e no fim, a pergunta que define tudo é simples: o Tottenham consegue aprender um novo futebol, enquanto luta para sobreviver?